8 de março: Quantas mulheres vocês escutam?

Eu, que toco, canto, componho e sou jornalista entusiasta de mulheres musicistas, me dei conta há algumas semanas que nesta coluna eu basicamente só escrevi sobre homens e que escuto menos mulher do que deveria e gostaria. Fica aqui o meu mea-culpa pra esse espaço e pro meu consumo musical. Mas e vocês, quantas mulheres escutam?

Hoje, 8 de março, Dia da Mulher, vemos diversas reflexões, de todos os lados, sobre o que é ser a gente e a nossa presença na sociedade e nos espaços que ocupamos. No meio musical não é diferente: Sempre saem publicações de dicas de artistas mulheres para ouvir – Dicas que, passado o mês, muitas vezes já esqueceremos e voltaremos a consumir mais artistas homens.

Eu poderia vir aqui trazer dicas de artistas mulheres incríveis, mas desta vez resolvi fazer um convite à reflexão. Porque não raro vemos cantoras que ou são hipersexualizadas ou mais cobradas que homens em questões técnicas como afinação (ou timbre de voz mesmo, um absurdo!). Sem falar no drama das mulheres instrumentistas, que ainda são pouco inseridas no circuito. E quem desempenha o trabalho invisível, como compositoras, técnicas de som, iluminadoras, produtoras musicais, etc.? Em pleno 2025, ser creditada ainda é lucro.

Tudo isso é comprovado. Por exemplo, há 5 anos o Ecad lança o relatório Mulheres na Música, um raio-x da participação feminina na indústria musical brasileira, e os documentos sempre mostram uma disparidade abissal entre homens e mulheres: No ano passado, menos de 10% dos valores arrecadados de direitos autorais foram repassados a artistas femininas.

Enfim, deixo aqui o convite à (auto)reflexão.