Eu estou obcecada. Passo 80% do meu tempo falando de “Ainda Estou Aqui”, Fernanda Torres, Selton Mello e Walter Salles, e nos outros 20% eu torço pra que alguém fale sobre para eu poder falar mais. E sou mais uma que está viciada na música-tema do filme, “É preciso dar um jeito, meu amigo” – Não só nessa mas em toda a trilha sonora, que é composta por músicas que são boas, representativas e fundamentais para a narrativa da obra.
Não sou muito ligada em cinema – deveria e gostaria de ser mais -, mas tamanha popularidade do filme nas salas de cinema também me fez querer conferir o filme mais recente de Salles. Para além do patriotismo e do “clima de Copa do Mundo” com todas as indicações e premiações internacionais, “Ainda Estou Aqui” é de fato um novo clássico do cinema nacional, com grandes interpretações – inclusive dos atores coadjuvantes – e uma direção caprichosa de um bom contador de histórias.
É interessante também observar como a música é um elemento importante dentro da trama, com a família Paiva sempre consumindo rádio e discos de vinil que, muitas vezes, reproduziam canções críticas à política brasileira daquela época, como os tropicalistas Gal Costa, Caetano Veloso, Tom Zé e Mutantes, passando também por Tim Maia, Nelson Sargento, Juca Chaves, Cesária Évora e pelos franceses Serge Gainsbourg e Jane Birkin. Mas o artista mais presente é Roberto Carlos, e foi intencional: Affonso Gonçalves (editor) Heitor Lorega, Murilo Hauser (roteiristas) e Walter Salles, que selecionaram a trilha sonora, escolheram usar e abusar das músicas de Roberto pela contradição do artista de ter composto músicas de protesto durante a ditadura – como, por exemplo, a música tema do longa, interpretada por seu parceiro Erasmo Carlos -, ao mesmo tempo que recebeu honrarias militares. Já a música original do filme é de Warren Ellis.
Por isso, a trilha sonora de “Ainda Estou Aqui” também merece atenção em festivais de cinema. Apesar de que, após o lançamento do filme, a música “É preciso dar um jeito, meu amigo”, de 1971, despontou como viral no Spotify em 2024, e isso já é um prêmio: é um reflexo da valorização da arte e da história do Brasil.
Mas contrariando o desejo de Fernanda, estou sim em clima de Copa do Mundo. No auge da minha ignorância sobre o universo da sétima arte, ainda tenho fé de que a gente pode ganhar no mínimo duas categorias do Oscar, incluindo a de Melhor Filme. Ansiosa para o dia 2 de março, data da cerimônia. Até lá, continuo celebrando esse feito inédito e inesquecível para o cinema nacional, sempre com a trilha sonora do longa no meu fone de ouvido.